Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel
Terça-feira, 4 de Março de 2008
NINGUÉM QUER CONTRIBUIR PARA O DEBATE. CONTINUEMOS

Achamos estranho que nem professores nem pais tenham até agora comentado. Mas somos capazes de compreender. A visita que fizemos à escola de Vila Franca do Campo foi muito frutífera. Ensinaram-nos muito. Voltaremos lá para a semana.

Ninguém comentou nem a Direcção Regional de Educação nos respondeu. O que já não achamos estranho.

A questão que se punha era sobre a taxa de sucesso escolar do cidadão surdo nos Açores. Estamos informados, sem que seja informação exacta, que só uma cidadã surda frequenta actualmente a universidade. O que denuncia algo acerca da tal taxa.

O ideal seria que o cidadão surdo, logo que detectada a  sua incapacidade auditiva, depois dos seis meses a um ano, começasse a ser iniciado na linguagem gestual. Para que depois no 1º ciclo do básico se tornasse um bilingue competente, devidamente instruído . E a partir do grau seguinte, sempre sendo um cidadão incluído ,  evoluindo com intérprete na sala, em cada disciplina. Não faz sentido ter um professor a debitar matéria numa sala onde há alunos surdos, sem que haja um intérprete. Se o não houver o que faz lá o aluno? Não ouve, não entende o que o professor está a ensinar. Sente-se excluído. Irrita-se e desinteressa-se do ensino. Se não houver um intérprete de LGP em cada sala de alunos surdos, não há inclusão: há exclusão. Sem intérprete como é que ele pode apreender o mesmo que os outros? E com que sucesso?

Ficamos a aguardar comentários. Podem ser anónimos já que há tanto titubear.



publicado por asism às 19:48
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6 comentários:
De memorex a 8 de Março de 2008 às 22:43
Peço desculpa por interverir neste espaço tão amplo, há coisas que nem sempre concordo especialmente "obrigar" uma criança surda a aprender somente Lingua Gestual Portuguesa. Onde impera o factor da oralidade? O direito á escolha de uma linguagem preponderante no contexto familiar, no meio onde a criança surda está inserida na sociedade maioritamente ouvinte?

Garanto-te, existem muitos cidadãos surdos nas suas respectivas Universidades, percentagem essa que tem vindo a crescer de ano para ano.

Abraços, outrora silenciosos e agora sonoros!

Memorex - Surda Profunda de causa não determinada, estudante universitária.


De asism a 9 de Março de 2008 às 21:15
Não peça desculpa. intervenha sempre. O seu contributo é e será sempre valioso. A oralidade e a linguagem gestual. É ainda hoje um tema não consensual. Para a pessoa surda o visual é o mais fácil. É o que dizem por aqui nesta associação. A oralidade é também importante sobretudo para o cidadão surdo falar para um ouvinte, e desde que esteja treinado na leitura labial. É muito relevante para comunicar com ouvintes que não sabem linguagem gestual. Mas não será mais fácil para uma criança entrar na LGP e depois começar a escola como bilingue e com apoio ideal de terapeuta da fala e intérprete?


De Memorex a 9 de Março de 2008 às 22:36
Que posso dizer? Venho de uma realidade diferente, há 20 anos atrás não havia muita informação e estudos inerentes á problemática de Surdez, muito menos nos conceitos pré-linguísticos aliados ao sucesso e insucesso escolar das crianças surdas.

Fui entregue ao desconhecido, com a ajuda da minha família e terapeuta de fala contra todas as probabilidades que indicavam um desfecho infeliz por parte dos profissionais inexperientes, defensores exímios da Lingua Gestual Portuguesa. A verdade seja dita, eis-me aqui, semelhante a vós num espaço ausente de rostos onde a palavra reina virtuosamente.

A visão é naturalmente o sentido que mais nos colocam no mundo, mas nem sempre é o mais importante, cada deficiente auditivo tem a sua própria voz, e uma notável capacidade de adaptação e a oralidade não é só para comunicar com os ouvintes – a via oral abre muitos universos paralelos, simétricos e imperfeitos a inúmeras possibilidades inimagináveis: adquirir uma vasta cultura por onde cada criança surda passa e passou obstáculos monstruosos, conquistar a independência social, criar a sua identidade peculiar não pela deficiência, mas pelo que a criança representa como um todo e saber escrever, entender a sintaxe da frase elaborada, os aspectos gramaticais que na Lingua Gestual Portuguesa não usufrui este suporte.

Não é uma questão de ser mais fácil, ou complexo a uma criança surda aprender primeiro a LGP, coloca-se uma abordagem ética e educativa, cuja família opte e se reestrutura perante as suas respectivas necessidades, facilitar a comunicação entre si.


De In@rq a 10 de Março de 2008 às 17:46
Interessante, muito interessante.
Até fiquei feliz por ver que afinal andamos por aqui e não somos meia dúzia . Não sou surda, mas por vezes sinto que me tentam tapar os ouvidos e fica o burburinho interior, a angústia mesmo.

Bem, voltando ao que me trouxe aqui. Julgo que a questão do surdo ser bilingue é clara, mais que clara nos dias em que vivemos, é um imperativo. Dominar também a oralidade é uma mais valia, olhemos para o mundo que nos rodeiam e depois de uma breve reflexão (sim, porque basta uma breve) venham dizer que ser bilingue não é um imperativo.


Hoje sinto-me assim (deve ser desta 2ª Feira)


De Anónimo a 10 de Março de 2008 às 23:16
De forma a contribuir para as opiniões que por aqui passam, deixo-vos este link.

http://www.mysmarthands.com/

bem hajam


De asism a 11 de Março de 2008 às 16:37
Já fomos visitar o site. É muito interessante para o que por aqui vimos dizendo sobre linguagem gestual para bebés.


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