Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel
Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
PODEM AINDA RECORRER À CONTRATAÇÃO DE FORMADORES DE LGP?

No art. 47º, nº 2, da portaria regional, a tal, 71/2008. Podem ainda recorrer? E se não puderem? Sim, se não puderem? Quem é que ensina LGP aos alunos surdos? Como é que eles aprendem? Expliquem. Elucidem-nos. Com que objectivo é que se legisla desta forma? Será que o legislador não tem consciência do vazio na concretização a que leva este texto legislativo? Que não se alcançam resultados sem meios para concretizar os objectivos? Expliquem. Expliquem.



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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
PARA QUE SE PERCEBA A NOSSA ARGUMENTAÇÃO

Argumentação já exposta e a expor.

Façamos uma passagem pela Constituição da República Portuguesa. Passagem que, esperamos, contribua para que espiritos com agilidade mental mais lenta entendam o universo dos cidadãos surdos que frequentam o ensino público. 
Os sublinhados são nossos.
Art. 5º (Território):
Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Art.9º (Tarefas fundamentais do Estado)
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
 
Artigo 13.º (Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
 
Art. 18º (Força jurídica)
 
1. Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas
 
Art. 71º (Cidadãos portadores de deficiência)
 
2. O Estado obriga-se a realizar uma política nacional de prevenção e de tratamento, reabilitação e integração dos cidadãos portadores de deficiência e de apoio às suas famílias, a desenvolver uma pedagogia que sensibilize a sociedade quanto aos deveres de respeito e solidariedade para com eles e a assumir o encargo da efectiva realização dos seus direitos, sem prejuízo dos direitos e deveres dos pais ou tutores.
 
Art. 73º (Educação ,cultura e ciência)
 
2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
 
Art. 74º (Ensino)
Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar.
2. Na realização da política de ensino incumbe ao Estado:
a) Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito;
b) Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;
c) Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;
d) Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;
e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;
f) Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;
g) Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;
h) Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;
Art. 75º (Ensino público, particular e cooperativo)
 
1. O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população.


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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
A RESPONSABILIDADE DO CONSELHO EXECUTIVO

No nº 26 do Art. 23º do DL 3/2008 (sim, não é legislação regional, mas...) que manteve a mesma redacção na alteração a que foi sujeito pela Lei 21/2008 reza assim:

26 - Compete ao conselho executivo do agrupamento de escolas ou da escola secundária garantir, organizar, acompanhar e orientar o funcionamento e o desenvolvimento da resposta educativa adequada à inclusão dos alunos surdos.

 

Com base na analogia cabe aqui perguntar porque é que ainda não foram contratados os técnicos de formação de LGP e tradutores intérpretes que estão já disponíveis na região? Porque é que desde o primeiro dia de aulas não está tudo organizado como deve ser, incluindo a contratação em tempo útil dos técnicos necessários para os alunos que iriam frequentar as escolas? Se já sabiam dos alunos surdos que estavam matriculados porque não agiram em tempo útil? Quanto tempo já se perdeu? E as consequências nefastas que já houve nos alunos, que já expressam desânimo, bem como os professores das disciplinas que não conseguem comunicar com eles? Sim, porque na tal legislação nacional, o DL 3/2008, o nº 17 do art. 23º, que manteve a mesma redacção na alteração a que foi sujeito pela Lei 21/2008, diz textualmente: Não se verificando a existência de de docentes competentes* em LGP nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e no ensino secundário, as aulas leccionadas por docentes ouvintes são traduzidas por um intérprete de LGP.

Os cidadãos alunos surdos nos Açores têm alguma coisa a menos do que os do Continente para não terem acesso às mesmas condições de ensino?

(* sublinhado nosso)



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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
SEMPRE HOUVE METAS

 
Ao longo dos anos sempre houve metas a atingir, para se atingir uma boa qualidade no ensino aos cidadãos surdos.

Por exemplo, vejamos o PNAI, Plano Nacional de Acção para a Inclusão (2006/2008).

Na pag. 69 descreve metas:

Afectar 4 000 professores de Educação especia l nos agrupamentos de escolas, abrangendo 26 000 crianças e jovens com deficiência, até 2008.

Abranger 46 000 pessoas com deficiência em acções de  formação, qualificação e apoio técnico, com vista à integração profissional, até 2008.

Abranger 14 0 000 beneficiários no novo sistema de prestações na eventualidade de deficiência, até 2009.

Aumentar 1 850 vagas em equipamentos sociais para pessoas com deficiência, até 2009.


E na pag. 72 tem como medida:


Programa de Língua Gestual Portuguesa


cuja descrição é:


Elaboração do Programa Disciplinar de Língua Gestual Portuguesa (LGP) a implementar em Unidades de Apoio à Educação de Alunos Surdos.


e cujas metas são:

- Produzir programas LGP para o ensino básico e para o ensino secundário, até 2007.

  • Garantir às crianças e jovens surdos o acesso à aprendizagem da língua gestual portuguesa nos estabelecimentos de educação/ensino públicos: educação préescolar; 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, até 2008.

  •  


No DL 3/2008 de 7 de Janeiro

CAPÍTULO V

Modalidades específicas de educação

Artigo 23.º

Educação bilingue de alunos surdos

1 — A educação das crianças e jovens surdos deve ser feita em ambientes bilingues que possibilitem o domínio da LGP, o domínio do português escrito e, eventualmente, falado, competindo à escola contribuir para o crescimento linguístico dos alunos surdos, para a adequação do processo de acesso ao currículo e para a inclusão escolar e social.

2 — A concentração dos alunos surdos, inseridos numa comunidade linguística de referência e num grupo de socialização constituído por adultos, crianças e jovens de diversas idades que utilizam a LGP, promove condições adequadas ao desenvolvimento desta língua e possibilita o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem em grupos ou turmas de alunos surdos, iniciando -se este processo nas primeiras idades e concluindo -se no ensino secundário.

3 — As escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos a que se refere a alínea a) do n.º 2 do artigo 4.º constituem uma resposta educativa especializada desenvolvida, em agrupamentos de escolas ou escolas secundárias que concentram estes alunos numa escola, em grupos ou turmas de alunos surdos.

4 — As escolas de referência para a educação de ensino bilingue de alunos surdos têm como objectivo principal aplicar metodologias e estratégias de intervenção interdisciplinares, adequadas a alunos surdos.

5 — As escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos integram:

a) Docentes com formação especializada em educação especial, na área da surdez, competentes em LGP (docentes surdos e ouvintes dos vários níveis de educação e ensino), com formação e experiência no ensino bilingue de alunos surdos;

b) Docentes surdos de LGP;

c) Intérpretes de LGP;

d) Terapeutas da fala.

6 — Para os alunos surdos, o processo de avaliação, referido no artigo 6.º, deve ser desenvolvido por equipas a constituir no agrupamento de escolas ou nas escolas secundárias para a educação bilingue destes alunos.

7 — As equipas referidas no número anterior devem ser constituídas pelos seguintes elementos:

a) Docente que lecciona grupo ou turma de alunos surdos do nível de educação e ensino da criança ou jovem;

b) Docente de educação especial especializado na área da surdez;

c) Docente surdo de LGP;

d) Terapeutas da fala;

e) Outros profissionais ou serviços da escola ou da comunidade.

8 — Deve ser dada prioridade à matrícula de alunos surdos, nas escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos.

9 — A organização da resposta educativa deve ser determinada pelo nível de educação e ensino, ano de escolaridade, idade dos alunos e nível de proficiência linguística.

10 — As respostas educativas devem ser flexíveis, assumindo carácter individual e dinâmico, e pressupõem uma avaliação sistemática do processo de ensino e de aprendizagem do aluno surdo, bem como o envolvimento e a participação da família.

11 — Os agrupamentos de escolas que integram os jardins -de -infância de referência para a educação bilingue de crianças surdas devem articular as respostas educativas com os serviços de intervenção precoce no apoio e informação das escolhas e opções das suas famílias e na disponibilização de recursos técnicos especializados, nomeadamente de docentes surdos de LGP, bem como na frequência precoce de jardim -de -infância no grupo de crianças surdas.

12 — As crianças surdas, entre os 3 e os 6 anos de idade, devem frequentar a educação pré -escolar, sempre em grupos de crianças surdas, de forma a desenvolverem a LGP como primeira língua, sem prejuízo da participação do seu grupo com grupos de crianças ouvintes em actividades desenvolvidas na comunidade escolar.

13 — Os alunos dos ensino básico e secundário realizam o seu percurso escolar em turmas de alunos surdos, de forma a desenvolverem a LGP como primeira língua e aceder ao currículo nesta língua, sem prejuízo da sua participação com as turmas de alunos ouvintes em actividades desenvolvidas na comunidade escolar.

14 — A docência dos grupos ou turmas de alunos surdos é assegurada por docentes surdos ou ouvintes com habilitação profissional para leccionar aqueles níveis de educação e ensino, competentes em LGP e com formação e experiência no ensino bilingue de alunos surdos.

15 — Na educação pré -escolar e no 1.º ciclo do ensino básico deve ser desenvolvido um trabalho de co-responsabilização e parceria entre docentes surdos e ouvintes de forma a garantir aos alunos surdos a aprendizagem e o desenvolvimento da LGP como primeira língua, e da língua portuguesa, como segunda língua.

16 — Sempre que se verifique a inexistência de docente surdo competente em LGP, com habilitação profissional para o exercício da docência no pré -escolar ou no 1.º ciclo do ensino básico, deve ser garantida a colocação de docente surdo responsável pela área curricular de LGP, a tempo inteiro, no grupo ou turma dos alunos surdos.

17 — Não se verificando a existência de docentes competentes em LGP nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e no ensino secundário, as aulas leccionadas por docentes ouvintes são traduzidas por um intérprete de LGP.

18 — Ao intérprete de LGP compete fazer a tradução da língua portuguesa oral para a língua gestual portuguesa e da língua gestual portuguesa para a língua oral das actividades que na escola envolvam a comunicação entre surdos e ouvintes, bem como a tradução das aulas leccionadas por docentes, reuniões, acções e projectos resultantes da dinâmica da comunidade educativa.

19 — Os docentes surdos de LGP asseguram o desenvolvimento da língua gestual portuguesa como primeira língua dos alunos surdos.

20 — Os docentes ouvintes asseguram o desenvolvimento da língua portuguesa como segunda língua dos alunos surdos.

21 — Aos docentes de educação especial com formação na área da surdez, colocados nas escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos, compete:

a) Leccionar turmas de alunos surdos, atendendo à sua habilitação profissional para a docência e à sua competência em LGP;

b) Apoiar os alunos surdos na antecipação e reforço das aprendizagens, no domínio da leitura/escrita;

c) Elaborar e adaptar materiais para os alunos que deles necessitem;

d) Participar na elaboração do programa educativo individual dos alunos surdos.

22 — Aos docentes surdos com habilitação profissional para o ensino da área curricular ou da disciplina de LGP compete:

a) Leccionar os programas LGP como primeira língua dos alunos surdos;

b) Desenvolver, acompanhar e avaliar o processo de ensino e de aprendizagem da LGP;

c) Definir, preparar e elaborar meios e suportes didácticos

de apoio ao ensino/aprendizagem da LGP;

d) Participar na elaboração do programa educativo individual dos alunos surdos;

e) Desenvolver actividades, no âmbito da comunidade educativa em que se insere, visando a interacção de surdos e ouvintes e promovendo a divulgação da LGP junto da comunidade ouvinte;

f) Ensinar a LGP como segunda língua a alunos ou outros elementos da comunidade educativa em que está inserido, difundir os valores e a cultura da comunidade surda contribuindo para a integração social da pessoa surda.

23 — As escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos devem estar apetrechadas com equipamentos essenciais às necessidades específicas da população surda.

24 — Consideram -se equipamentos essenciais ao nível da escola e da sala de aula os seguintes: computadores com câmaras, programas para tratamento de imagem e filmes, impressora e scanner; televisor e vídeo, câmara e máquinas fotográficas digitais, retroprojector, projector multimédia, quadro interactivo, sinalizadores luminosos de todos os sinais sonoros, telefone com serviço de mensagens curtas (sms), sistema de vídeo -conferência, software educativo, dicionários e livros de apoio ao ensino do português escrito, materiais multimédia de apoio ao ensino e aprendizagem em LGP, ao desenvolvimento da LGP e sobre a cultura da comunidade surda, disponibilizados em diferentes formatos; material e equipamentos específicos para a intervenção em terapêutica da fala.

25 — Constituem objectivos dos agrupamentos de escolas e escolas secundárias:

a) Assegurar o desenvolvimento da LGP como primeira língua dos alunos surdos;

b) Assegurar o desenvolvimento da língua portuguesa escrita como segunda língua dos alunos surdos;

c) Assegurar às crianças e jovens surdos, os apoios ao nível da terapia da fala do apoio pedagógico e do reforço das aprendizagens, dos equipamentos e materiais específicos bem como de outros apoios que devam beneficiar; d) Organizar e apoiar os processos de transição entre os diferentes níveis de educação e de ensino;

e) Organizar e apoiar os processos de transição para a vida pós -escolar;

f) Criar espaços de reflexão e partilha de conhecimentos e experiências numa perspectiva transdisciplinar de desenvolvimento de trabalho cooperativo entre profissionais com diferentes formações que desempenham as suas funções com os alunos surdos;

g) Programar e desenvolver acções de formação em LGP para a comunidade escolar e para os familiares dos alunos surdos;

h) Colaborar e desenvolver com as associações de pais e com as associações de surdos acções de diferentes âmbitos, visando a interacção entre a comunidade surda e a comunidade ouvinte.



Depois a Lei 21/2008 de 12 de Maio veio reforçar o poder jurídico do diploma DL 3/2008, introduzindo também algumas alterações, sendo que o mais crucial foi definir que os docentes de LGP não teriam de ser exclusivamente surdos.


Agora comparem com a Portaria 71/2008, de âmbito regional, e avaliem a execução que é dada à alínea a) do artigo 48.



publicado por asism às 15:35
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
O CONTRADITÓRIO; OU A INCOERÊNCIA; OU A IGNORÂNCIA

 

No Capitulo VIII da Portaria 71/2008, poderá encontrar-se o seguinte:
no artigo 42ª
1.         Poderão ser criadas as seguintes tipologias de UNECA:
d) Educação de surdos;
2.         São objectivos das unidades de apoio ocupacional:
a) Propiciar condições dignas de vida às crianças e jovens portadoras de deficiência;
b) Promover o relacionamento sócio-afectivo da criança ou jovem com o meio envolvente;
c) Promover o desenvolvimento global e a autonomia física, pessoal e social;
d) Promover competências inerentes às actividades de vida diária.
5.         São objectivos das unidades de apoio à educação de surdos:
a) Assegurar o desenvolvimento da língua gestual portuguesa como primeira língua;
b) Assegurar as medidas pedagógicas necessárias ao domínio do português, nomeadamente a nível da escrita e da leitura;
c) Assegurar os apoios a nível da terapia da fala, do treino auditivo e da tradução para as crianças e jovens que deles possam beneficiar;
d) Organizar e apoiar os processos de transição entre os diferentes níveis de educação e de ensino;
e) Programar e desenvolver acções de formação de língua gestual portuguesa para professores, pessoal não docente, pais e familiares;
f) Colaborar com as associações de pais e com as associações de surdos na organização de acções recreativas, de lazer e de sensibilização sobre a surdez.
E depois no artigo 46 tem esta pérola:
4.         As crianças entre os 3 e os 6 anos de idade devem, preferencialmente, frequentar jardins-de-infância de crianças ouvintes, cumprindo, quando possível, parte do seu programa educativo, em pequeno grupo, nas salas de jardins-de-infância da escola onde funcionem as unidades de apoio à educação de crianças surdas.
 
Ora se a alínea a) do nº 5 do artigo 42 diz que é um objectivo assegurar o desenvolvimento da língua gestual portuguesa como primeira língua, não se explica como é que a criança de 3 aos 6 apreende essa língua gestual portuguesa. Se a criança não tem quem lhe ensine, e normalmente os pais não sabem LGP, como é que as crianças vão aprender essa linguagem? E com quem vão conviver e dialogar nessa linguagem? O problema principal de um cidadão surdo é a comunicação. Ele não ouve, só pode comunicar visualmente. A criança surda necessita de, no tempo biológico próprio de aprendizagem, ter ao seu alcance o ensino de uma língua, para ela a LGP, porque não pode assimilar naturalmente a língua materna. Ora se na a) do 5 do art. 42 se afirma, e muito bem, que é objectivo  assegurar o desenvolvimento da língua gestual portuguesa como primeira língua, fica por explicar como. Como é que o legislador tem um lapso destes? Ou o legislador estava mal acolitado? Ou abunda muita ignorância na equipa legisladora? Ou os gurus regionais na matéria andam distraídos em guerras intestinas e a esgrimir vaidades pessoais? Sim, expliquem como é que a criança dos 3 aos 6 anos (nº4 do artigo 46) apreende a LGP, e evolui em LGP no jardim de infância, se não há docentes de LGP à sua disposição. Expliquem. Cumprindo, quando possível. Porque raio não há-de ser possível? Expliquem. Expliquem as crianças com défices cognitivos porque não têm linguagem. Há uma criança no Nordeste com 5 anos sem linguagem. Comunica só por mímica. Quem explica? E o tempo de vida já perdido sem linguagem?
No artigo 48 trata das OBRIGAÇÕES DA ESCOLA. [obrigação (do Lat. obligatione): acto de obrigar; sujeição; dever imposto por lei ou pela moral; encargo; compromisso; imposição de consciência; preceito]. Na alínea  h) está escrito: Programar e desenvolver acções de formação de língua gestual portuguesa para professores, pessoal não docente, pais e familiares. Digam quantas acções já tiveram lugar por iniciativas das escolas. Sim, porque como não houve alterações, isto já é antigo.
Vamos continuar com a análise desta portaria, sobretudo por causa da obrigação de assegurar o desenvolvimento da língua gestual portuguesa como primeira língua, como consta na alínea a) do artigo 48


publicado por asism às 22:50
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
É UM MALOGRO A NOVA LEGISLAÇÃO QUE ABRANGE O ENSINO DE SURDOS

 

Depois de ter saído, a nível nacional, nova legislação (ver aqui e aqui) que introduz melhorias e inovações substanciais, que em muito potenciam o sucesso de alunos surdos, sai, nos e só para os Açores, a Portaria 71/2008 de 18.08.2008, que deixa tudo na mesma, fazendo tábua rasa das inovações da legislação nacional, como se nada se passasse no mundo, como se os Açores fossem imunes ao desenvolvimento. Comprovativo, do que aqui dizemos, é o seguinte destaque que fazemos do preâmbulo:
 
No ano lectivo de 2007/2008 optou-se por manter na essência o regulamento em vigor, introduzindo apenas as alterações pontuais resultantes de alterações legislativas. Face à adequação do normativo às necessidades e práticas das escolas, consultado o Conselho Coordenador do Sistema Educativo, foi decidido manter para o ano lectivo de 2008/2009 o documento em vigor, sem alterações. Contudo, a entrada em vigor de novos procedimentos de aprovação de candidaturas no âmbito do Fundo Social Europeu obriga à clarificação do requisito mínimo de alunos para abertura de cursos profissionais. Face à consequente necessidade de republicar o documento, foram introduzidas as clarificações anteriormente discutidas em matéria de educação especial e de educação moral e religiosa e algumas correcções de remissão interna no documento.
 
Destaca-se: sem alterações e necessidade de republicar o documento. Claro que tudo isto só por causa de candidaturas no âmbito do Fundo Social Europeu. Benefício acrescentado para os surdos, não há nenhum. Vamos continuar a analisar o documento, por partes, e no que aos surdos diz respeito.
 
P:S: Tenho apreciado a “conspiração de silêncio” da corporação.


publicado por asism às 13:57
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
A BUROCRACIA É INIMIGA DA EFICIÊNCIA

 

Os alunos surdos necessitam de ter o apoio de um profissional intérprete de LGP. Para poderem entender o que os professores explicam. Já há professores, que não são do ensino especial, aflitos porque não conseguem comunicar com os alunos surdos. O desespero já atinge os dois lados. Em S. Miguel está uma profissional, intérprete de LGP, à espera de ser contratada. Mas quem espera, desespera. E poderá regressar ao Continente. E aqui em S. Miguel não há mais profissionais destes disponíveis. As aulas já começaram há mais de um mês. O que entretém pessoas a passear papéis de um lado para o outro sem que se alcance qualquer eficiência? O que se passa com a DRE?


publicado por asism às 22:08
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
NA MADEIRA, A SECRETARIA DA EDUCAÇÃO PREOCUPA-SE E TEM OBJECTIVOS PARA O ENSINO DOS SURDOS.

 

Promover acções de despiste da Surdez na Região Autónoma da Madeira.
Proceder à avaliação audiométrica das crianças e jovens com problemas de audição, através do serviço de Audiologia e consultas de Otorrinolaringologia.
Proporcionar um maior atendimento precoce, quer no domicílio quer nos infantários e na Instituição.
Proporcionar um ambiente que possibilite o máximo desenvolvimento cognitivo, linguístico, emocional e social.
Proteger e valorizar o desenvolvimento da WP enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades.
Assegurar as medidas pedagógicas específicas necessárias ao domínio do Português escrito, e sempre que possível, falado.
Integrar alunos Surdos nas estruturas regulares de ensino.
Organizar Acções de Sensibilização aos docentes que trabalham com surdos. Colaborar com as escolas do ensino regular facultando informação necessária para um melhor apoio pedagógico.
Garantir aos alunos, condições de aprendizagem e frequência escolares adequadas às suas capacidades.
Assegurar a reabilitação de crianças e adultos que forem sujeitos a implantes cocleares. Proporcionar o desenvolvimento integral e harmonioso da criança e do jovem Surdo com vista a uma verdadeira integração social.
Sensibilizar a comunidade para os problemas de educação, reabilitação e integração da pessoa Surda, com vista a uma participação activa, responsável e socialmente aceite. Apoiar filhos de pais surdos que necessitem de técnicas específicas ao nível da autonomia, do desenvolvimento da comunicação verbal/oral, LGP, da escolarização e pré-profissionalização.
Proporcionar aos Surdos adultos, meios de alfabetização.
Colaborar com a Comunidade Surda na resolução de problemas resultantes de
         dificuldades de comunicação e outros, no mundo dos ouvintes:
Exames de código de estrada;
Processos judiciais - Serviço de Intérprete;
Encaminhamento para Tribunal de Menores;
Adaptação de provas escritas e orais para concurso a emprego.
     Apoiar adultos que venham a ensurdecer, por doença ou acidente, e / ou internamento hospitalar prolongado, e venham a precisar de técnicas especificas para sua educação,       reabilitação e inserção social.
Valorizar e incentivar o espírito critico e a capacidade de reflexão.
Contribuir para o desenvolvimento da prática da actividade física e do desporto.
Desenvolver actividades que estimulem a capacidade de criar e inovar.
Promover a apropriação das novas tecnologias de informação pelos diversos
intervenientes da comunidade educativa.
Colaborar com a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos da
Madeira - AP ADAM.
Sensibilizar os pais e encarregados de educação para a importância da sua participação
na vida escolar e no acompanhamento dos seus educandos.
Proporcionar formação aos docentes e não docentes com vista a uma acção educativa
mais eficaz. 
Proporcionar formação aos alunos, promovendo a valorização de comportamentos / atitudes correctos. 
Desenvolver actividades de esclarecimento e prevenção em relação a comportamentos
prejudiciais à saúde.
 
É o que se pode confirmar na Secretaria Regional de Educação e Cultura da Região Autónoma da Madeira (SREC), Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação (DREER), Serviço Técnico de Educação de Deficiência Auditiva (STEDA), nas páginas 12 e 13 (OBJECTIVOS) do Projecto Educativo do STEDA 2007/2010.
Comparem e façam uma reflexão.
 
 
 


publicado por asism às 14:35
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
ATÉ NOTICIAM SOBRE O ENSINO DE SURDOS, MAS ...

O jornal «Correio dos Açores» publicou na página 19 da sua edição nº26012 de 27.09.2008 a seguinte noticia:

 

 

PARA ALUNOS COM SURDEZ

Professores vão receber formação

 
 
 
 

Mais de mil professores e técnicos de ensino vão receber nos próximos três meses cursos de educação especial, disse à Lusa fonte do Ministério da Educação, reagindo a preocupações da Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS). A propósito do Dia Mundial do Surdo, que se assinala domingo, o presi­dente da FPAS revelou terça-feira à Lusa que uma das "maiores preocupações" é a de os "jovens poderem prosseguir os seus estudos em direito de igualdade, com intérpretes de língua gestual portuguesa, na sala de aula, sem terem que ser os próprios a pagar os ordenados" daqueles técnicos. De acordo com dados fornecidos à Lusa pelo Ministério da Educação, entre Outu­bro e Dezembro vão ser realizados cursos de formação em educação especial nos domínios da surdez, visão, multideficiên­cia e espectro do autismo abrangendo um total de 1.200 professores e outros técni­cos dos ensinos público e privado. Quanto à surdez, o Ministério adiantou que vão estar envolvidos, no ano lectivo que agora começou, 74 formadores de Língua Ges­tual Portuguesa (LGP), 76 intérpretes e 36 terapeutas da fala. O Ministério tem identificados na rede escolar 815 alunos com surdez severa ou profunda. O adjunto do secretário de Estado da Educação Manuel Joaquim Ramos realçou à Lusa a aposta na formação dos auxiliares de acção educativa, considerado um "grupo muito importante na inclusão dos alunos" cor dificuldades.

 

 

 

 

Aqui nos Açores nada se passou na formação para técnicos na área da surdez. Também não se ouviu nenhum responsável a referir-se ao tema como se referiu o Secretário de Estado. Também nos Açores nenhum responsável da educação se referiu ao tema que é a preocupação manifestada pelo presidente da FPAS. Aqui nos Açores quedos e mudos. E porque será?

 

Consultem, e comparem, o STEDA e a DREE da Madeira (links aí ao lado em EDUCAÇÃO)

 



publicado por asism às 18:22
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